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Dez ministros da UE querem que Pacto Verde oriente saída da crise

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, assinou o documento.  Foto Lusa
O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, assinou o documento. Foto Lusa

A saída da crise económica provocada pela pandemia deve ser orientada pela luta contra as alterações climáticas, defenderam 10 ministros da União Europeia, entre os quais o português, Matos Fernandes, em carta dirigida à Comissão.

Na missiva, hoje divulgada, intitulada “Fazer da Recuperação da UE um Green Deal” (Pacto Verde), os ministros recordaram que “o mundo enfrenta uma crise sem precedentes” e apontam que “a recuperação não se pode fazer a cometer os mesmos erros do passado”.

Segundo a agência EFE, que teve acesso ao documento, os Estados que assinaram são Áustria, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Itália, Letónia, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Suécia.

No texto foi solicitado à Comissão que analise os elementos do Pacto Verde que se podem ir adiantando, para acelerar uma recuperação sustentável e uma transição justa.

Os subscritores realçaram que, em poucas semanas, a pandemia arrasou o mundo, provocando uma tremenda tragédia humana e um retrocesso histórico cujo impacto completo ainda se desconhece, e insistiram que a prioridade é a luta contra a doença (covid-19) e as suas consequências imediatas.

Mas, acrescentaram, a preparação da reconstrução económica deve começar a avançar: “Deveríamos começar a preparar-nos para reconstruir a nossa economia e introduzir os planos de recuperação necessários para trazer progresso e prosperidade renovados e sustentáveis para a Europa e os seus cidadãos”.

A ministra Teresa Ribera, de Espanha, declarou, a propósito, que “o Pacto Verde apresentado pela Comissão constitui um mapa extremamente interessante” e recusou que seja substituído “por uma alternativa mais perigosa para o ambiente e o bem-estar coletivo”.

Os ministros apelam à capacidade de trabalhar em conjunto e à solidariedade e propõem o aumento dos investimentos na mobilidade sustentável, em energias renováveis, na reabilitação de edifícios, na investigação e inovação, na economia circular e ainda na diversidade biológica.

Foi ainda expresso o desejo de enviar um sinal político ao mundo que a União Europeia vai liderar o caminho para a neutralidade climática em 2050 e o cumprimento do Acordo de Paris, contra as “tentações de soluções a curto prazo”.

A carta é assinada por, além do ministro português, a vice-presidente e ministra para a Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribera, a ministra federal de Ação Climática, Ambiente, Energia, Mobilidade e Inovação da Áustria, Leonore Gewessler, o titular de Clima, Energia e Serviços Públicos, da Dinamarca, Dan Jørgenseny, a ministra do Ambiente e Alterações Climáticas da Finlândia, Krista Mikkonen, o ministro do Ambiente, da Terra e do Mar de Itália, Sergio Costa, o responsável da Proteção Ambiental e Desenvolvimento Regional da Letónia, Juris Puce, a ministra do Ambiente, Clima e Desenvolvimento Sustentável do Luxemburgo, Carole Dieschbourg, o ministro dos Assuntos Económicos e da Política Climática dos Países Baixos, Eric Wiebes, e ainda a vice-primeira-ministra sueca, que tem a responsabilidade pela pasta do Ambiente e Clima, Isabella Lövin.

O Pacto Verde Europeu, que é o mapa com que a União Europeia tenciona acelerar a sua transição ecológica para uma economia neutra em emissões de dióxido de carbono, até 2050, foi apresentado em dezembro pela presidente da Comissão, a alemã Ursula von der Leyen.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil. Dos casos de infeção, mais de 312 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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